Segue, sem ordem de importância, o meu ranking pessoal (estou sendo redundante para realçar que a lista se trata estritamente da minha opinião) de alguns dos melhores filmes de suspense e terror da década passada. Há quem diga - e como dizem - que a vida inteligente de Hollywood está se rareando em uma velocidade rápidíssissima. Eu sinceramente creio que há cada vez menos coisa pra se inventar, e por isso a originalidade nas telonas muitas vezes demora pra dar as caras nos dias de hoje. Mesmo assim, é pra lá de satisfatório quando surgem agradáveis surpresas da sétima arte para o público. E acontece. Confira abaixo, algumas pérolas contemporâneas do suspense e do terror cinematográfico (relembrando: sem ordem de importância) em uma lista curta e simbólica.
Revelação (2000)
| "Revelação", de Zemeckis, reúne dois astros inexperientes do terror: Harrison Ford e Michelle Pfeifer. O resultado é um filme verdadeiramente admirável. |
O filme do experiente diretor Robert Zemeckis (Forrest Gump) com certeza não se destaca pelo seu nome. O título original também não é dos melhores: What lies beneath (O que vem abaixo). Mas é mesmo uma grande revelação que dá a reviravolta máxima na vida dos personagens de Michelle Pfeifer e Harrison Ford. Pfeifer vive uma esposa perturbada por assombrações em sua própria casa. Além disso, ela também crê que seu vizinho é um assassino. Esta quase obsessão por observar a vida de quem mora ao lado só dura o início do filme, e lembra em muito, o Janela Indiscreta de Hitchock. Mas ainda assim é um grande filme que consegue ser tão bom em reunir dois astros inexperientes no terror. A crítica especializada afirmou que Revelação faz com a banheira o que (de novo) Hitchcock fez com o chuveiro, em Psicose. E é verdade. Guarde bem essa informação: mais pro final do filme, após a então revelação, tem a cena da banheira, que é magnificamente tensa e bem realizada. E mesmo com tanta angústia e violência, o filme tem um belo final.
Os outros (2001)
Um dos filmes mais lembrados da estrela Nicole Kidman merece, de fato, esse destaque. Na
história, que se passa nos EUA dos anos 40, ela é Grace Stewart, uma dona de casa muitíssimo
religiosa e extremamente dedicada unicamente ao seu lar e seu casal de filhos. Seu marido tinha ido à guerra e não regressou.
| O grito de Nicole Kidman na cena inicial de "Os Outros" é arrepiante. O filme é excelente. |
Não bastasse isso, Grace contava com dois outros problemas. Seus antigos criados haviam a deixado há pouco mais de uma semana, sem explicação e sem pegar as suas contas. E os seus filhos, Anne e Nicholas, vejam só, sofrem do mesmo mal: fotossensibilidade. Bastam poucos minutos em contato ao sol, para que a pele dos dois se encham de bolhas e fortes alergias. Devido à isso, Grace contém a luz como água na sua casa. Ao chegar três novos criados, ela é categórica: "é proibido abrir uma porta sem trancar a anterior". Esta escuridão necessária dá um toque todo especial na trama. Com o passar desses dias, a personagem de Kidman sofrerá diversas alucinações e presenciará a filha afirmar que não estão sozinhos em casa, e sim, rodeados por espíritos. O desfecho é bastante reflexivo e bota em cheque até mesmo as questões de cunho
religioso.
O quarto do pânico (2002)
O ótimo diretor David Fincher já tem em seu currículo vários clássicos modernos. Como que
m tem o toque de midas, em que tudo que se faz vira ouro, Fincher coleciona verdadeiras pérolas
contemporâneas, como Seven, A Rede Social e o mitológico Clube da
| Jodie Foster é uma mãe disposta a tudo para proteger a sua filha em "O quarto do Pânico" |
Luta. Um de seus filmes menos conhecidos - e nem por isso menos bom - conta com a competente Jodie Foster no papel principal. Ao se mudar de casa com a filha, a personagem de Jodie se depara com uma casa linda e enorme, bem no centro da cidade. Mas logo na
primeira noite, a ironia do destino dá as caras. Três bandidos invadem a casa para pegar o dinheiro roubado que haviam escondido por ali. A mãe se dá conta à tempo e se esconde com a filha no
cômodo que dá nome ao filme. O local, impenetrável sem a chave, parecia ser o porto seguro das duas. E, com relação à revestimento e
segurança, realmente é. Mas acreditam que a ironia do destino é
ainda mais intrometida do que imaginávamos? O dinheiro desejado pelos rapazes está justamente no quarto do pânico. A partir daí, através do sistema de interfone e do circuito de câmeras, começa uma inusitada negociação entre as donas da casa e os três bandidos, que aliás, representam brilhantemente uma metáfora do mundo moderno em uma escala logicamente tripla: uma parte é boa, a outra mediana e a terceira completamente perdida e depravada.
Janela Secreta (2004)
| Johnny Depp de cara lavada é novidade. O desfecho de "Janela Secreta" também. |
Só mesmo o fato de Johhny Depp aparecer de cara
lavada em um filme já é um motivo para o seu papel despertar a atenção. O roteiro inicial de "Janela Secreta" é pra lá de bom: o personagem de Depp após se separar da namorada, se refugia em sua velha e isolada casa de veraneio. Escritor perfeccionista, é surpreendido por alguém batendo em sua porta durante um dia comum. Do outro lado, um pitoresco (e misterioso) homem que afirma estar sendo vítima de plágio por Depp. No desenrolar da trama, as ameaças são cada vez mais consistentes, e o personagem tem a certeza de que não está cometendo plágio. O final do filme é no mínimo bombástico. E consegue, num mesmo passo, contradizer e esclarecer diversas passagens da história. É uma ótima sacada, e um bom filme.
O amigo oculto (2005)
Mesmo que Robert de Niro tenha se rendido à filmes inexpressivos ultimamente, sua presença nos longas sempre acaba valendo. E mesmo assim, o grande astro protagonizou ótimos filmes na última década, como esse excelente suspense dirigido pelo desconhecido John Polson.
| Em "O amigo oculto", Dakota Fanning consegue chamar mais atenção que De Niro. |
É a história de uma jovem menina (Dakota Fanning) e o pai (De Niro), que após a morte da mulher, se mudam de casa buscando novos ares. E, é claro, que como quase uma lei dos thrillers, a mudança de casa no início da história só piora as coisas. A personagem de Dakota afirma que tem um amigo imaginário. O Charles, que a princípio é amigável, logo produz grandes desastres, como uma enorme bagunça no quarto da menina, só para citar o mais leve deles. Pouco a pouco, De Niro se dá conta de que as trágicas obras só podem ser feitas por alguém de carne e osso. O elenco é ótimo e traz também as atrizes Elizabeth Shue e Melissa Leo.
Protegida por um anjo (2006)
Para Demi Moore, quase não há meio termo, ou se ama, ou se detesta. Mas não há como não aplaudir o seu ótimo papel (e interpretação) nesse suspense digno de Oscar. Sua personagem, uma escritora devastada após a morte do filho, viaja para uma casa de veraneio à beira mar.
Apesar das lembranças e aparições assustadoras do filho, ela parece reengatilhar sua vida no
vilarejo.
| Demi Moore em um papel que desmistifica a sua incapacidade interpretativa. |
Principalmente após conhecer um simpático rapaz. No entanto, com o passar dos belos dias ao lado dele, em uma certa manhã, ao não encontrá-lo em lugar
nenhum, ela pergunta aos moradores sobre
o seu paradeiro e recebe a informação que ele não existe. Aliás, que já morreu fazia décad
as. Começa um grande dilema para a moça. E o grande trunfo deste filme, é que
ele não corresponde ao óbvio e se marca pelas grandes surpresas. Sem dúvidas um grande momento na carreira de Demi Moore, goste a ou não.
Onde os fracos não tem vez (2007)
O grande vencedor do Oscar 2008 ainda não é considerada a obra prima dos Irmãos Coen - título atribuído à "Fargo", de 1996. Mesmo assim, "Onde os fracos não tem vez" é um exemplar suspense de perseguição. Tudo começa quand
o um vaqueiro (Josh Brolin) encontra uma maleta recheada de dólares em um deserto e a leva, sem ainda nenhuma intenção.
| Perseguição tripla, um vilão icônico, Irmãos Coen. Clássico moderno instantâneo. |
O dono da valise, um bandido incrivelmente frio vivido por Javiér Barden caça a qualquer custo quem levou o seu pertence, que por sua vez é roubado. Atrás dele, vai o bestial xerife Tomm
y Lee Jones, completando o ciclo de perseguições da história. Não é à toa que o filme se tornou icônico. O personagem de Bárdem, em uma interpretação antológica, entrou para o hall dos vilões mais lembrados do cinema contemporâneo, ao lado do coringa de Heath Ledger, em "O Cavaleiro das Trevas".
Os Estranhos (2008)
O filme mais assustador desta lista é também o menos genial, mas nem por isso desinteressante. Pelo contrário. Baseado em uma história real, é um retrato de como a violência e a falta de piedade podem ser completamente desumanas... nos humanos. É a história de um casal em crise que vai passar a noite, adivinhem: em uma casa isolada. Já é quase o fim da noite, e eles ainda não dormiram. Quando o clima esquenta entre o casal, alguém bate à porta. Já é um susto, simplesmente pelo
| "Os Estranhos" é horripilantemente bom. Um feito. |
acontecimento inusitado. Quem espera é uma moça, que diz ter se enganado de casa. Porém, logo em seguida, o local é rodeado por três pessoas mascaradas (uma delas a própria moça). Começa aí um reinado de terror aonde o casal infelizmente não tem escapatória. "Os estranhos" é bastante eficaz e reúne elementos de "O iluminado" e se parece muito com o também bom, mas inferior "Temos Vagas", de 2007. No final do filme, a personagem de Liv Tyler, assombrada e devastada por tanto medo pergunta aos mascarados qual o motivo de ela e o marido serem vítimas de tamanha violência e despudor. "Por que vocês estavam em casa", foi a resposta. Aliás, a história toda carece de explicações, a começar pela crise do casal no início do filme e pelo derradeiro final. Mas uma coisa é certa: o filme assusta.
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