quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Dama Enjaulada (1964)



Em uma tarde quente de verão, a ricaça Cornelia Hilyard passará por um dos piores momentos de sua vida. Com problemas na bacia e limitações físicas, a mulher depende de uma bengala e um elevador domiciliar para se locomover dentro de casa. Porém, um infortúnio destinal faz com que a eletricidade caia bem no momento em que o elevador está funcionando, e pior, com a senhora dentro. A princípio, a dona da casa tenta manter a calma, mas conforme os minutos avançam, ela vai se desesperando aos poucos, afinal, está há vários metros do chão. Tudo piora com a chegada de um bêbado em sua casa, que lhe rouba alguns pertences para vender. A notícia corre, e logo o imóvel está tomado por vândalos.


"A Dama Enjaulada" beira os trejeitos de um filme B, batendo na trave do risível fora de hora mas se salvando pelo interessante roteiro e pela atuação da bioscarizada Havilland, por vezes exagerada, mas sempre competente. A clausura domiciliar, tema principal do filme, já havia sido um dos enfoques de "O que terá acontecido à Baby Jane", de 1962, grande suspense da Warner que trazia Joan Crawford em cadeira de rodas e presa em casa pela irmã maluca Bette Davis. Mais recentemente o tema originou grandes películas como "Louca Obsessão" (1990), que traz Kathy Bates travando um reinado de tortura ao seu ídolo, o escritor Paul Sheldon, que após um acidente de carro, permanece sob seus "cuidados". Em 2002, o já aclamado diretor David Fincher contou com Jodie Foster no papel da mãe presa em casa buscando se proteger dos bandidos.


No entanto, o que pode ser percebido em "A Dama Enjaulada" é o descaso da sociedade com os apuros alheios. Em determinada cena do filme, a personagem toca o alarme privativo e não recebe ajuda. A partir daí ela reflete que nunca deu atenção quando ouvia os alarmes dos outros tocarem. Além disso, o diretor destaca a violência gratuita, que ao contrário do que muitos pensam, acompanha a sociedade desde que ela existe. Talvez sejam estas as únicas características do longa que podem qualificá-lo como um clássico. Afinal, vários momentos podem ser hoje estranhos ao público, ou mesmo risíveis. Mesmo assim, é um grande momento na carreira de Olivia de Havilland. Muitos críticos, por sinal, julgam esta como a sua mais marcante e melhor intepretação artística. O cartaz original do filme traz Olivia alertando: "Não assista este filme sozinho!". Balela, não é nada assustador. Trata-se apenas de um chacoalhão no espectador.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Louca Obsessao (1990)


A ironia absoluta do destino aguarda pelo escritor Paul Sheldon em "Louca Obsessão". O personagem de James Caan é um famoso romancista de uma série de livros entitulada "Misery", que vem a ser o título original deste filme adaptado da obra de Stephen King, o mestre do terror. Quando capota o seu carro na neve, Sheldon permanece dois dias em coma e acorda em um quarto desconhecido. De frente com ele está a enfermeira Anne Wilkes (Kathy Bates, no papel que lhe valeu o Oscar de melhor atriz daquele ano), sua fã número 1, segundo ela mesma.

Tudo parece ótimo. Não haveria melhor pessoa para resgatá-lo do que uma enfermeira afastada do cargo. Contudo, ao desenrolar do filme, veremos que Sheldon na verdade não teve a menor sorte de estar ali. Ao ler o roteiro do mais novo livro de seu ilustre hóspede, e descobrir que sua personagem favorita irá morrer, Anne tem um surto e mostra a sua outra face: obsessiva e psicótica. A partir daí, ela iniciará um reinado de tortura à Sheldon, oscilando sempre entre a personalidade dócil e a agressiva. Agora, mesmo impossibilitado de se locomover, Sheldon tentará a todo custo escapar deste insano cativeiro.

O então novato diretor Rob Reiner deu luz à um ótimo filme, que não necessitou de efeitos visuais para entonar o clima tenso e claustrofóbico. Prepare seus nervos para a cena final, você vai querer entrar na tela do filme.