terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Entrando numa fria maior ainda com a família (2010)



Parece que foi ontem. Aliás, faz mesmo pouco tempo que eu fui assistir "Entrando numa fria maior ainda com a família" (Little Fockers, no original) no cinema. O filme estreou dia 07 de janeiro nos cinemas brazucas. Pois bem, domingo dia 09 estava eu numa poltrona privilegiada no Cine n'Fun, em Bauru: exatamente debaixo do refletor. Eram eu e mais cinco pessoas. Você não leu errado, apenas meia dúzia de espectadores assistiam à comédia. Também, pudera: afinal quem vai ao cinema de domingo na sessão das 13 horas?

O terceiro filme da franquia ''Entrando numa Fria" era, de longe, o mais aguardado por mim nos últimos meses. Desde a liberação do primeiro trailer, eu vinha acompanhando diariamente as notícias sobre as gravações. O primeiro trailer, por sinal, anunciava o filme sem a presença de Dustin Hoffman, o que eu tinha achado um absurdo, levando em conta que a história iria ficar naturalmente com um vazio, além do fato de que Hoffman havia sido a melhor coisa do segundo filme da série. Porém, por fim, felizmente Dustin aceitou participar da continuação, trabalhando em algumas cenas e faturando o equivalente à 12 milhões de reais por cinco dias de trabalho. Ok, como eu não tenho nada a ver com o cachê e formas de pagamento de nenhuma lenda hollywoodiana, apenas me animei pela franquia continuar com o seu elenco completo.

O time de estrelas do filme, por sinal, é grandioso, composto por lendas do calibre de Robert de Niro e Barbra Streisand, além de Dustin Hoffman, e astros queridos da nova geração, como Ben Stiller, Owen Wilson e Jessica Alba. Assim que lançado nos EUA, às vésperas do Natal, "Entrando numa fria maior ainda com a família" ocupou imediatamente o primeiro lugar nas bilheterias americanas, se tornando o primeiro sucesso cinematográfico de 2011, ficando na frente do remake western "Bravura Indômita", dos Irmãos Coen. No entanto, a comédia não foi afagada por críticas favoráveis.

O problema começava com a estrutura do roteiro. Não havia mais o que se retirar da história do sogro linha dura (De Niro) que persegue o genro (Ben Stiller). Mesmo assim, os produtores tiraram leite de pedra e realizaram um filme de 1 hora e meia. Porém, os lances e situações que acontecem ao desenrolar do filme renderam uma indicação ao Framboesa de Ouro de Pior Roteiro do ano. E não é só: Jessica Alba e a veterana Barbra Streisand amargam a concorrência de Pior Atriz Coadjuvante da mesma "premiação", cuja lista de indicados foi divulgada na web na última segunda-feira (24/01). Além disso, o elenco de apoio foi muito mal aproveitado no longa. Harvey Keitel, astro de filmes de Scorsese nos anos 70, vive um descuidado mestre de obras, à construir uma piscina na casa de Greg (Ben Stiller). Ele só faz duas cenas no filme e desaparece tão de repente como chegou. Laura Dern (Coração Selvagem) é a pediatra da escola que os gêmeos (os little fockers) irão frequentar. A sua personagem, juntamente com a de Keitel são totalmente descartáveis e não interferem em momento algum no ciclo da história. Os produtores provavelmente quiseram que o elenco fosse ainda mais estelar do que já era, mesmo que a participação de um ou de outro artista ficasse sem sentido no filme.

A franquia "Entrando numa Fria", iniciada em 2000, trazia o jovem Greg à conhecer seu futuro sogro, o agente aposentado da CIA Jack Byrnes (De Niro), que iniciaria um reinado de perseguição à ele. O filme foi aclamado pelos críticos de cinema e até arrebatou uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original, por "A Fool in Love"; além da indicação ao Globo de Ouro para Robert de Niro como melhor ator de comédia daquele ano. A continuação da saga consistia na apresentação dos pais de Greg (ex-hippies vividos por Dustin Hoffman e Barbra Streisand) à família da noiva. "Entrando numa fria maior ainda", de 2004 arrebentou nas bilheterias, superando seu antecessor, e consolidou a série de comédia como a mais rentável da década.

A maior parte das cenas de "Entrando numa fria maior ainda com a família" se restringe ao nível pastelão e enche-linguiça. Mesmo assim, o filme é melhor que a maioria das comédias atuais, e arranca algumas risadas sinceras do público. O próprio Robert de Niro cogita mais uma continuação. Díficil vai ser imaginar um nome maior ainda para o quarto filme dessa série. Nota 6.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Quanto Mais Quente Melhor (1959)



Certa vez o genial Billy Wilder disse que filmes deveriam ser como parques de diversão. O diretor sueco sempre foi sinônimo de versatilidade: transitava entre os mais diversos gêneros e nos brindou com verdadeiras obras-primas, como o Oscarizado "Farrapo Humano", no qual o protagonista Ray Milland sofre na pele o vício do álcool; "Pacto de Sangue", um dos maiores filmes noir já feitos; o mitológico "Crepúsculo dos Deuses" que ressuscitou a carreira da diva Gloria Swanson, estrela do cinema mudo; e o drama de tribunal "Testemunha de Acusação", com Dietrich e Tyrone Power. Porém, seu nome é frequentemente mais associado à direção de comédias.


No entanto, nem mesmo a sua mente visionária imaginaria que em 1959 ele realizaria a chamada "melhor comédia de todos os tempos". O divertidíssimo "Quanto mais quente melhor" varou o século 20 empinado por esse status e invariavelmente ocupando a primeira posição de qualquer ranking que elegesse os melhores filmes de humor. E ainda permanece com a medalha de ouro em plena contemporaneidade. O elenco é de primeira classe. A dupla Jack Lemmon (indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo papel) e Tony Curtis, morto em novembro passado, vivem dois músicos de boteco fugindo de gângsters. No auge da alucinação pela fuga eles planejam se infiltrar num grupo musical de mulheres. Isso mesmo, eles vestem roupas fofas, perucas castanhas e abusam da maquiagem: agora são Daphne e Josephine. Qualquer semelhança com "As Branquelas" não é mera coincidência. Esta história é mais antiga do que você pensava.


É aí que entra em cena a vocalista da banda: a doce, ingênua e loira Sugar Kane, naturalmente vivida por Marilyn Monroe. Registros relatam que em uma das cenas, o texto era simplíssimo. Marilyn deveria dizer apenas "It's me, Sugar" (Sou eu, Sugar). Porém, a diva se enrolava e boatos dizem que a cena só foi gravada para a edição final após cerca de 80 tentativas. Mesmo assim Billy Wilder dizia que Marilyn sabia exatamente como dosar o humor entre as falas e os gestos. Jack Lemmon confessou que chegou a cair do sofá (literalmente!) quando leu o roteiro de "Quanto mais Quente Melhor" e afirmou que não gostava da ideia de se vestir de mulher, mas topou por se tratar de um filme do gênio Wilder. Resultado: um grande e cômico momento de Hollywood.