domingo, 10 de abril de 2011

Fargo (1996)


Não é nenhum exagero dizer que o que qualifica o drama "Fargo", é justamente a sua simplicidade. Lançado nos cinemas em 1996, a história não é nada introspectiva. Pelo contrário. É até simples demais. Trata-se de um roteiro interessante, mas que poderia facilmente se tornar um fiasco em mãos erradas. Porém, com a aguçada direção dos consagrados Irmãos Coen isso dificilmente poderia acontecer. Amantes de histórias de humor-negro e geralmente simples, Fargo é apenas mais uma fita na filmografia da dupla que faz jus à esta preferência. Suas demais obras Queime Depois de Ler, Bravura Indômita, Matadores de Velhinhas e o oscarizado Onde os Fracos Não Tem Vez também se encaixam neste quadro.

"Fargo" é a cidade dos EUA que dá título ao filme e também o cenário onde se passam a maior parte de suas cenas. Durante o inverno americano, um vendedor de automóveis (William H. Macy) está endividado até a garganta e esquematiza um plano repugnante: contratar bandidos para sequestrarem a sua própria esposa e ficar com o dinheiro do resgate, naturalmente a ser pago pelo sogro rico e muquirana. É aí que entram os dois marginais, vividos pelo esquisitíssimo Steve Buscemi e pelo desconhecido Peter Stormare, que irão realizar o crime. Ensacada e levada pelos rapazes, a mulher evidentemente se desespera e presencia a sequência de assassinatos que os bandidos terão de cometer para não serem descobertos. Devido à esse efeito dominó sangrento é até justificável o deprimente subtítulo brasileiro dado ao filme: "Uma Comédia de Erros". Vale lembrar que mesmo sendo uma trama de suspense, o humor ácido dos Coen sempre dá as caras.

Finalmente entra em cena a policial Marge, interpretada pela ótima Frances McDormand, que recebeu o Oscar de Melhor Atriz pelo papel. Ela tentará então desvendar a avalanche de mortes, incansavelmente, ainda que grávida e entrando em contato com quem quer que seja, fazendo suas perguntas com seu sotaque carregadíssimo. Foi um dos vários filmes do marido (Joel Coen) que a atriz protagonizou. "Fargo" é até hoje considerado a obra-prima dos diretores e retrata o universo literalmente frio do norte americano.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bio - Elizabeth Taylor


Considerada pelos entendidos como a última grande estrela de Hollywood, Elizabeth Taylor faleceu em março último, aos 79 anos. Sua morte, decorrente de uma série de complicações cardíacas, virou evidentemente manchete do planeta. Tomou conta dos Trending Topics do Twitter, rede social de microblogs que Liz por sinal era inscrita e postava conteúdo regularmente.

Junto com a diva dos olhos violeta, vai-se também a Era de Ouro do Cinema, segundo os críticos mais contundentes. Liz iniciou cedo sua carreira artística. Nos anos 40, quando ainda era uma jovem garota, protagonizou filmes como "A mocidade é assim mesmo", ao lado de Mickey Rooney, e dois filmes da lendária série da cadela "Lassie". De lá pra cá, Liz projetou uma carreira esplêndida, sempre trabalhando ao lado de grandes artistas, e rapidamente também se tornou uma delas.

A primeira indicação ao Oscar veio em 1957, por "A Árvore da Vida", em que contracenou com Montgomery Clift e Eve Marie Saint. A partir daí, Liz conheceria o auge de sua trajetória artística. Em 1960, levou o Oscar de Melhor Atriz pelo papel de uma prostituta de luxo em "Disque Butterfield 8". Após o prêmio, Liz passaria 3 anos longe das telonas até estrelar o épico "Cleópatra", e se consolidar como a primeira atriz da história a receber 1 milhão de dólares de cachê. Seu par romântico era o seu atual marido Richard Burton. Foi o primeiro de nove filmes que o casal estrelou juntos. Aliás, em matrimônios Liz também era mestra. Foram um total de 8 casamentos, dois deles com Burton.

Pode-se dividir a carreira da diva em antes e depois de "Quem tem medo de Virginia Woolf?", o filme em que Liz se desfez de todo o seu glamour para encarnar a estúpida Martha. O papel lhe valeu seu segundo Oscar. Após este filme, a sua filmografia foi entrando em declínio e os grandes filmes em que participava eram cada vez mais escassos. Porém, ela era sempre a estrela absoluta, atuando em boas películas como a atormentada Ellen no suspense "Vigília nas Sombras". O último filme que fez para o cinema foi "Os Flinstones", em 1994. A carreira de Liz serve de metáfora para a qualidade e poder que o cinema sofreu ao longo das décadas.

Engajada em causas humanitárias, em especial aos aidéticos, Elizabeth Taylor doou numerosos fundos para os portadores da doença e recebeu seu terceiro prêmio da Academia em virtude de sua participação solidária. Para seus conhecidos fica a lembrança da "magnitude que ela era como amiga e como atriz", segundo a colega Shirley MacLaine. Para os fãs fica a extensa filmografia e momentos memoráveis de seus filmes. Para ambos, a imagem dos seus maravilhosos olhos violetas, que enfim se fecharam.