quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Laços de Ternura (1983) || O entardecer de uma Estrela (1996)


Nos anos 80, o drama "Laços de Ternura" marcou época. Com direção do estreante James L. Brooks (Os Simpsons), o longa contava com Shirley MacLaine vivendo a incansável Aurora Greenway, papel que finalmente lhe valeu o Oscar. A história é basicamente centrada no convívio entre mãe (MacLaine) e filha (Debra Winger), destacando seus momentos de alegria, tristeza e loucura. Aurora é uma viúva de meia idade cujo temperamento oscila entre o oito e o oitenta. Ora gentil, ora insuportável, o objetivo de sua vida é sustentar a família mesmo após a morte de seu marido. Tarefa árdua, e quase impossível quando a filha Emma muda de cidade com o marido e os dois filhos. Aurora, que é acima de tudo, uma mulher extremamente vaidosa, enlouquece quando se dá conta que já é avó pela terceira vez. Lá pela metade do filme, deixa de luxo e se entrega aos galanteios baratos do seu vizinho Garret, ex-astronauta vivido pelo brilhante Jack Nicholson. "Laços de Ternura" faz rir e chorar. Retrata fielmente o cotidiano de qualquer família convencional, que por vezes briga, mas que sempre termina aos afagos e beijos. Resultado: cinco Oscar e um dos mais belos filmes sobre relacionamento familiar.

É de praxe: quase que em 100% das vezes a segunda parte de um filme é considerada inferior à primeira. Porém, para toda regra há a sua exceção. "Homem Aranha 2", de 2004, é tido como melhor que o seu antecessor, de 2002. A histórica trilogia "O Poderoso Chefão", de Francis Coppola, possui o seu auge no segundo filme, segundo a maior parte dos críticos de cinema. Em 1996, quando a hipótese de uma continuação para "Laços de Ternura" estava cada vez mais à beira do descarte, eis que o desconhecido cineasta Robert Harling assume o comando da realização de "Entardecer de uma Estrela". O filme contava novamente com MacLaine no papel principal, vivenciando novos conflitos familiares, agora com os netos. Um deles é prisioneiro. O outro tem uma vida meramente vazia. E a adolescente Melanie (Juliette Lewis) é uma rebelde sem causa. A continuação se mantém fiel à história original, destaca o choque de gerações e possui momentos melhores e piores ao filme anterior. A história se passa 13 anos após "Laços de Ternura", com a família sempre por perto, e Shirley MacLaine, devido à minuciosa maquiagem, parece 13 anos... mais jovem! Do jeito que Aurora gosta.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O que terá acontecido à Baby Jane? (1962)



Poucos filmes em Hollywood receberam o status de "mitológico". O audacioso suspense do notável diretor Robert Aldrich reuniu as veteranas Bette Davis e Joan Crawford em 1962. Somente esta façanha honraria Aldrich, ao colocar no mesmo elenco duas grandes atrizes que se detestavam. A verdade é que tanto Crawford quanto Davis passavam por momentos turbulentos em suas carreiras. Davis chegou até mesmo a enviar sarcasticamente pedidos de emprego aos classificados dos jornais americanos.


O projeto contava com pouco dinheiro. Tratava-se da história de Jane (Davis), ex-atriz-mirim que tortura física e psicologicamente a irmã paralítica Blanche (Crawford) que fora uma grande estrela do cinema nos anos 30. Boatos afirmam que o clima nos sets de gravação era tenso, assim como o filme. Bette Davis chegou a dizer que queria à todo custo Alfred Hitchcock na direção da fita. O mestre do suspense, por sua vez, estava já em andamento com as gravações de "Os Pássaros".


Merecidamente ou não, "O que terá acontecido à Baby Jane?" foi um estouro nas bilheterias mundiais, se tornando o maior sucesso da Warner desde "Casablanca". Obteve ainda, 05 indicações ao Oscar, incluindo atriz para Davis. Faturou a estatueta de Melhor Figurino. Aldrich planejava um segundo filme com a dupla: "Com a Maldade na Alma", a ser realizado em 1964. Bette Davis aceitou o papel, Crawford chegou à gravar algumas cenas, mas desistiu do projeto e foi substituída por Olivia de Havilland.


O fato é que após "Baby Jane", as duas atrizes seriam firmemente associadas ao suspense, e ambas engatilhariam uma sequência de filmes do gênero no fim de suas carreiras.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Dama Enjaulada (1964)



Em uma tarde quente de verão, a ricaça Cornelia Hilyard passará por um dos piores momentos de sua vida. Com problemas na bacia e limitações físicas, a mulher depende de uma bengala e um elevador domiciliar para se locomover dentro de casa. Porém, um infortúnio destinal faz com que a eletricidade caia bem no momento em que o elevador está funcionando, e pior, com a senhora dentro. A princípio, a dona da casa tenta manter a calma, mas conforme os minutos avançam, ela vai se desesperando aos poucos, afinal, está há vários metros do chão. Tudo piora com a chegada de um bêbado em sua casa, que lhe rouba alguns pertences para vender. A notícia corre, e logo o imóvel está tomado por vândalos.


"A Dama Enjaulada" beira os trejeitos de um filme B, batendo na trave do risível fora de hora mas se salvando pelo interessante roteiro e pela atuação da bioscarizada Havilland, por vezes exagerada, mas sempre competente. A clausura domiciliar, tema principal do filme, já havia sido um dos enfoques de "O que terá acontecido à Baby Jane", de 1962, grande suspense da Warner que trazia Joan Crawford em cadeira de rodas e presa em casa pela irmã maluca Bette Davis. Mais recentemente o tema originou grandes películas como "Louca Obsessão" (1990), que traz Kathy Bates travando um reinado de tortura ao seu ídolo, o escritor Paul Sheldon, que após um acidente de carro, permanece sob seus "cuidados". Em 2002, o já aclamado diretor David Fincher contou com Jodie Foster no papel da mãe presa em casa buscando se proteger dos bandidos.


No entanto, o que pode ser percebido em "A Dama Enjaulada" é o descaso da sociedade com os apuros alheios. Em determinada cena do filme, a personagem toca o alarme privativo e não recebe ajuda. A partir daí ela reflete que nunca deu atenção quando ouvia os alarmes dos outros tocarem. Além disso, o diretor destaca a violência gratuita, que ao contrário do que muitos pensam, acompanha a sociedade desde que ela existe. Talvez sejam estas as únicas características do longa que podem qualificá-lo como um clássico. Afinal, vários momentos podem ser hoje estranhos ao público, ou mesmo risíveis. Mesmo assim, é um grande momento na carreira de Olivia de Havilland. Muitos críticos, por sinal, julgam esta como a sua mais marcante e melhor intepretação artística. O cartaz original do filme traz Olivia alertando: "Não assista este filme sozinho!". Balela, não é nada assustador. Trata-se apenas de um chacoalhão no espectador.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Louca Obsessao (1990)


A ironia absoluta do destino aguarda pelo escritor Paul Sheldon em "Louca Obsessão". O personagem de James Caan é um famoso romancista de uma série de livros entitulada "Misery", que vem a ser o título original deste filme adaptado da obra de Stephen King, o mestre do terror. Quando capota o seu carro na neve, Sheldon permanece dois dias em coma e acorda em um quarto desconhecido. De frente com ele está a enfermeira Anne Wilkes (Kathy Bates, no papel que lhe valeu o Oscar de melhor atriz daquele ano), sua fã número 1, segundo ela mesma.

Tudo parece ótimo. Não haveria melhor pessoa para resgatá-lo do que uma enfermeira afastada do cargo. Contudo, ao desenrolar do filme, veremos que Sheldon na verdade não teve a menor sorte de estar ali. Ao ler o roteiro do mais novo livro de seu ilustre hóspede, e descobrir que sua personagem favorita irá morrer, Anne tem um surto e mostra a sua outra face: obsessiva e psicótica. A partir daí, ela iniciará um reinado de tortura à Sheldon, oscilando sempre entre a personalidade dócil e a agressiva. Agora, mesmo impossibilitado de se locomover, Sheldon tentará a todo custo escapar deste insano cativeiro.

O então novato diretor Rob Reiner deu luz à um ótimo filme, que não necessitou de efeitos visuais para entonar o clima tenso e claustrofóbico. Prepare seus nervos para a cena final, você vai querer entrar na tela do filme.

domingo, 31 de outubro de 2010

Acorrentados (1958)



Dificilmente outro filme fará o público torcer tanto pelos vilões. Em "Acorrentados", de 1958, os prisioneiros vividos por Tony Curtis e Sidney Poitier escapam do caminhão da penitenciária quando este capota. Seria mais do que ótimo se eles não estivessem algemados um ao outro. Agora, durante a fuga, eles terão de cooperar entre si, deixar de lado o preconceito racial e trabalhar em equipe.


No filme, a personalidade arrogante do personagem de Curtis e a inteligência de Poitier entrarão frequentemente em conflito, mas estarão sempre lutando juntos pela sobrevivência e buscando acima de tudo a fuga absoluta, tentando se livrar das correntes que os prendem. Enquanto isso, a polícia local promove uma busca alucinada aos dois criminosos, com direito à vários cães farejadores.


O espectador presenciará momentos de tensão, ação e até mesmo de humor neste ótimo drama do versátil diretor Stanley Kramer. O longa obteve diversas indicações ao Oscar, incluindo duas de Ator (para Poitier e Curtis). Arrebatou as estatuetas de Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Original.

domingo, 24 de outubro de 2010

O Quarto do Pânico (2002)



Uma verdadeira batalha entre gato e rato te espera em "O Quarto do Pânico". O filme, realizado em 2002 sob direção de David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button), nos traz Jodie Foster vivendo a mulher recém-divorciada que, juntamente com a filha (Kristen Stewart), procura outro lar para viver. Quando as duas adquirem um casarão no centro de Manhattan, sequer imaginam que há um cofre secreto com uma grande fortuna dentro do local. E pior: três bandidos invadirão a casa na próxima noite. O suspense está montado. Ao perceber a presença dos meliantes, ela e sua filha se escondem no quarto que dá nome ao filme, que é revestido de aço. Porém, as coisas estão só para começar. O dinheiro que os ladrões procuram está justamente dentro do quarto do pânico. As duas podem acompanhar os seus movimentos através do circuito de câmeras, mas não podem ouvi-los. O contrário acontece com os bandidos, que não podem vê-las, mas sim escutá-las.


Fincher conduz com maestria este thriller, que destaca, sobretudo, a força da luta pela sobrevivência e do amor maternal. Outro detalhe interessante é a escala de maldade mostrada nos três bandidos. Um deles é verdadeiramente cruel, um nem tanto e o outro, brilhantemente vivido por Forest Whitaker, pasmem, é bondoso. Prepare-se para momentos de tensão e reviravoltas surpreendentes neste filme, que pode com facilidade ser encaixado na lista dos dez maiores suspenses dos anos 2000.