
Poucos filmes em Hollywood receberam o status de "mitológico". O audacioso suspense do notável diretor Robert Aldrich reuniu as veteranas Bette Davis e Joan Crawford em 1962. Somente esta façanha honraria Aldrich, ao colocar no mesmo elenco duas grandes atrizes que se detestavam. A verdade é que tanto Crawford quanto Davis passavam por momentos turbulentos em suas carreiras. Davis chegou até mesmo a enviar sarcasticamente pedidos de emprego aos classificados dos jornais americanos.
O projeto contava com pouco dinheiro. Tratava-se da história de Jane (Davis), ex-atriz-mirim que tortura física e psicologicamente a irmã paralítica Blanche (Crawford) que fora uma grande estrela do cinema nos anos 30. Boatos afirmam que o clima nos sets de gravação era tenso, assim como o filme. Bette Davis chegou a dizer que queria à todo custo Alfred Hitchcock na direção da fita. O mestre do suspense, por sua vez, estava já em andamento com as gravações de "Os Pássaros".
Merecidamente ou não, "O que terá acontecido à Baby Jane?" foi um estouro nas bilheterias mundiais, se tornando o maior sucesso da Warner desde "Casablanca". Obteve ainda, 05 indicações ao Oscar, incluindo atriz para Davis. Faturou a estatueta de Melhor Figurino. Aldrich planejava um segundo filme com a dupla: "Com a Maldade na Alma", a ser realizado em 1964. Bette Davis aceitou o papel, Crawford chegou à gravar algumas cenas, mas desistiu do projeto e foi substituída por Olivia de Havilland.
O fato é que após "Baby Jane", as duas atrizes seriam firmemente associadas ao suspense, e ambas engatilhariam uma sequência de filmes do gênero no fim de suas carreiras.
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