
Em uma tarde quente de verão, a ricaça Cornelia Hilyard passará por um dos piores momentos de sua vida. Com problemas na bacia e limitações físicas, a mulher depende de uma bengala e um elevador domiciliar para se locomover dentro de casa. Porém, um infortúnio destinal faz com que a eletricidade caia bem no momento em que o elevador está funcionando, e pior, com a senhora dentro. A princípio, a dona da casa tenta manter a calma, mas conforme os minutos avançam, ela vai se desesperando aos poucos, afinal, está há vários metros do chão. Tudo piora com a chegada de um bêbado em sua casa, que lhe rouba alguns pertences para vender. A notícia corre, e logo o imóvel está tomado por vândalos.
"A Dama Enjaulada" beira os trejeitos de um filme B, batendo na trave do risível fora de hora mas se salvando pelo interessante roteiro e pela atuação da bioscarizada Havilland, por vezes exagerada, mas sempre competente. A clausura domiciliar, tema principal do filme, já havia sido um dos enfoques de "O que terá acontecido à Baby Jane", de 1962, grande suspense da Warner que trazia Joan Crawford em cadeira de rodas e presa em casa pela irmã maluca Bette Davis. Mais recentemente o tema originou grandes películas como "Louca Obsessão" (1990), que traz Kathy Bates travando um reinado de tortura ao seu ídolo, o escritor Paul Sheldon, que após um acidente de carro, permanece sob seus "cuidados". Em 2002, o já aclamado diretor David Fincher contou com Jodie Foster no papel da mãe presa em casa buscando se proteger dos bandidos.
No entanto, o que pode ser percebido em "A Dama Enjaulada" é o descaso da sociedade com os apuros alheios. Em determinada cena do filme, a personagem toca o alarme privativo e não recebe ajuda. A partir daí ela reflete que nunca deu atenção quando ouvia os alarmes dos outros tocarem. Além disso, o diretor destaca a violência gratuita, que ao contrário do que muitos pensam, acompanha a sociedade desde que ela existe. Talvez sejam estas as únicas características do longa que podem qualificá-lo como um clássico. Afinal, vários momentos podem ser hoje estranhos ao público, ou mesmo risíveis. Mesmo assim, é um grande momento na carreira de Olivia de Havilland. Muitos críticos, por sinal, julgam esta como a sua mais marcante e melhor intepretação artística. O cartaz original do filme traz Olivia alertando: "Não assista este filme sozinho!". Balela, não é nada assustador. Trata-se apenas de um chacoalhão no espectador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário