terça-feira, 22 de março de 2011

Touro Indomável (1980)


Grande parte da crítica especializada considera “Touro Indomável” a melhor das parcerias entre Martin Scorsese e Robert de Niro. Há quem diga que esse mérito se atribui à “Os Bons Companheiros”, de 1990. No entanto, neste segundo, De Niro é coadjuvante, apesar de sempre estar realçado pelo top billing. O verdadeiro protagonista, na verdade, é Ray Liotta.

"Touro Indomável" traz a história do boxeador Jake La Motta, que trajetou sua carreira nos anos 40 e 50. Temperamental e agressivo, dentro e fora dos ringues, Jake era treinado pelo seu irmão Joey (Joe Pesci), também violento mas visivelmente mais racional que o atleta.

Com o passar do tempo e após o divórcio, o lutador conhece sua próxima esposa Vickie, então com 15 anos de idade. É o início de vários anos de convívio envoltos pela discussão, tapas e ocasionalmente pelos beijos. Paralelamente, Jake La Motta batalha contra o sobrepeso e, entre derrotas e vitórias, mantém sempre o orgulho em alta, dizendo jamais “beijar a lona”. O longa nos mostra, acima de tudo, de que maneira o comportamento pessoal pode influenciar profissionalmente.

O filme foi a grande chance de Scorsese se consolidar no cinema. Foram 8 indicações ao Oscar, mas o filme levou pra casa as de ator (De Niro) e edição. Após este, foram mais 06 indicações ao prêmio de Melhor Direção da Academia. O grande diretor teve de esperar mais de 20 anos para finalmente se oscarizar, por “Os Infiltrados”, em 2006.

Posteriormente, outros filmes de boxe invadiram as telonas. Vários deles (os de maior sucesso, por sinal) compõem o grupo de clássicos do século 21: "O Vencedor", "O Lutador" e "Menina de Ouro", de Clint Eastwood.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Prisioneiro do Passado (1949)



"Prisioneiro do Passado" é quase atípico. Não é exatamente um filmaço noir, como os representativos "Pacto de Sangue", de Billy Wilder; e "Almas em Suplício", de Michael Curtiz. Mesmo assim, pode ser considerado um bom filme, protagonizado por dois ícones máximos do gênero: o casal Humphrey Bogart e Lauren Bacall.


O longa traz a história de Vincent Parrish (Bogart), que após escapar da prisão, pede carona em uma viscinal. A recebe e rouba o carro. Em seguida, é surpreendido pela pintora Irene Jansen (Bacall), que lhe faz uma proposta irrecusável: lhe hospedar em sua casa como esconderijo. Parrish desconfia e quase hesita, mas como não tem mais nada a perder (e muito menos a ganhar), aceita o "convite". Posteriormente, ele recorre à uma cirurgia plástica facial, buscando mudar seu rosto, para evidentemente passar despercebido aos olhos das autoridades.


A operação é realizada pelo bizarro Dr. Walter Coley (brilhantemente interpretado por Houseley Stevenson) em um consultório clandestino, dentro de sua própria casa. Por incrível que pareça, a cirurgia é um sucesso e a partir daí a câmera abandona o ponto de vista do criminoso e podemos ver a sua nova face: o rosto de Humphrey Bogart. Tudo parecia estar caminhando relativamente bem, mas reviravoltas surpreenderão Parrish e Irene, mais contundentes ainda do que foi o pós-operatório do bandido. O elenco de apoio é nada menos do que competente. Agnes Moorehead é Madge, solteirona frustrada que vive às custas de Bob (Bruce Bennett).


Foi o 3º filme que Bogart e Bacall fizeram juntos. Os dois formaram um dos casais mais memoráveis do cinema, inclusive tendo filhos. Bogart faleceu prematuramente, em 1957, aos 57 anos. Lauren Bacall completa em 2011 87 anos de idade e incríveis 67 de carreira.

sábado, 5 de março de 2011

Enterrado Vivo (2010)



Para o Access Hollywood, famoso programa televisivo de variedades dos EUA, "Enterrado Vivo" teria feito o saudoso Hitchcock se orgulhar. De fato, provavelmente o mestre do suspense toparia rodar a história caso fosse 30 anos mais jovem. O mais recente filme protagonizado por Ryan Reynolds é uma caixinha de surpesas, com o perdão do trocadilho. Seu personagem é o caminhoneiro Paul Conry, que, ao se dirigir juntamente com seu comboio para uma comunidade do Iraque, sofre um ataque realizado por moradores do local. É a única coisa que se lembra antes de acordar dentro de um caixão.

Dispondo de apenas um celular e um isqueiro, o americano entra em uma espiral de loucura quando se dá conta que tudo faz parte de um grande esquema liderado pela alta cúpula do Iraque, que o tendo como refém, decreta uma fiança para desenterrá-lo. Além disso, no decorrer do filme, que é recheado de momentos tensos, um dos líderes que o chantageia pelo telefone ordena que Paul grave vídeos de si mesmo para que caiam na mídia e abalem a supremacia estaduniense. É o que realmente acontece quando o caminhoneiro é noticiado que, em poucos minutos, seu vídeo havia sido postado no YouTube e já enumerava milhares de visualizações.Toda esta situação cutuca a ferida do serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em outras circunstâncias, o FBI certamente desdenharia esforços físicos e financeiros para resgatar o refém de sua nacionalidade. Porém, como o caso ganhou conhecimento internacional, as autoridades americanas foram "forçadas" a segurar as pontas e manter o nível de sua jurisdiscência. Agora, elas buscam demonstrar falsa e publicamente o apego e enorme interesse em resgatar seu conterrâneo são e salvo.


A carreira de Ryan Reynolds está em alta. Eleito pela People como o homem mais sexy de 2010, o ator coleciona alguns bons momentos em Hollywood. Sua carreira, que teve início em 1990 com participações em seriados, esteve no auge em 2009, graças ao sucesso do longa "A Proposta" em que Reynolds contracena com a oscarizada Sandra Bullock. Agora, ele terminou de gravar "Lanterna Verde", encarnando o personagem-título. Em "Enterrado Vivo", sua atuação é oca, chegando a decepcionar nos momentos de desespero de seu personagem. O resultado é um filme que não corresponde às expectativas. Não pelo seu grau de suspense e desenvolvimento do roteiro, que se sucedem razoalvemente; mas pelos anseios paradigmáticos dos espectadores. Nota: 7