
Certa vez o genial Billy Wilder disse que filmes deveriam ser como parques de diversão. O diretor sueco sempre foi sinônimo de versatilidade: transitava entre os mais diversos gêneros e nos brindou com verdadeiras obras-primas, como o Oscarizado "Farrapo Humano", no qual o protagonista Ray Milland sofre na pele o vício do álcool; "Pacto de Sangue", um dos maiores filmes noir já feitos; o mitológico "Crepúsculo dos Deuses" que ressuscitou a carreira da diva Gloria Swanson, estrela do cinema mudo; e o drama de tribunal "Testemunha de Acusação", com Dietrich e Tyrone Power. Porém, seu nome é frequentemente mais associado à direção de comédias.
No entanto, nem mesmo a sua mente visionária imaginaria que em 1959 ele realizaria a chamada "melhor comédia de todos os tempos". O divertidíssimo "Quanto mais quente melhor" varou o século 20 empinado por esse status e invariavelmente ocupando a primeira posição de qualquer ranking que elegesse os melhores filmes de humor. E ainda permanece com a medalha de ouro em plena contemporaneidade. O elenco é de primeira classe. A dupla Jack Lemmon (indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo papel) e Tony Curtis, morto em novembro passado, vivem dois músicos de boteco fugindo de gângsters. No auge da alucinação pela fuga eles planejam se infiltrar num grupo musical de mulheres. Isso mesmo, eles vestem roupas fofas, perucas castanhas e abusam da maquiagem: agora são Daphne e Josephine. Qualquer semelhança com "As Branquelas" não é mera coincidência. Esta história é mais antiga do que você pensava.
É aí que entra em cena a vocalista da banda: a doce, ingênua e loira Sugar Kane, naturalmente vivida por Marilyn Monroe. Registros relatam que em uma das cenas, o texto era simplíssimo. Marilyn deveria dizer apenas "It's me, Sugar" (Sou eu, Sugar). Porém, a diva se enrolava e boatos dizem que a cena só foi gravada para a edição final após cerca de 80 tentativas. Mesmo assim Billy Wilder dizia que Marilyn sabia exatamente como dosar o humor entre as falas e os gestos. Jack Lemmon confessou que chegou a cair do sofá (literalmente!) quando leu o roteiro de "Quanto mais Quente Melhor" e afirmou que não gostava da ideia de se vestir de mulher, mas topou por se tratar de um filme do gênio Wilder. Resultado: um grande e cômico momento de Hollywood.
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