segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Oscar 2012: nostalgia, recordes e perna de fora :)

A 84ª entrega de prêmios do Oscar ficou marcada por ser uma verdadeira declaração de amor ao passado e à nostalgia. Dentre os principais indicados estavam "A invenção de Hugo Cabret", do mestre Scorsese, e o francês "O Artista", que por sinal faturou o prêmio de Melhor Filme. Ambos arrebataram cinco estatuetas cada um. No entanto, os prêmios técnicos ficaram com "Hugo", enquanto os de elenco (Ator, Diretor) foram para "O Artista". O filme francês é o primeiro longa mudo e preto e branco a receber o principal prêmio da Academia desde os anos 20. Já o filme de Scorsese rememora as primeiras técnicas e artifícios do cinema, ao narrar as aventuras do garoto que dá nome à trama. Ambas as obras garantem ser primorosas. Em tempo: eu não assisti nenhum dos 9 indicados à Melhor Filme deste ano.

Dujárdin, Streep, Spencer e Plummer: os atores vencedores
A cerimônia da Academia deu (finalmente) o terceiro - e merecido - Oscar para a versátil Meryl Streep, que deu vida à ex-primeira-ministra britânica Margareth Thacher, um ícone da liderança feminina. O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante foi para Christopher Plummer, no papel de um idoso que se assume ser gay para a família em "Toda forma de amor". Um recorde. Plummer é o homem mais velho a ser agraciado com o Oscar, aos 82 anos. Por coincidência, um de seus concorrentes, Max von Sydow (Tão forte e tão perto) tem a mesma idade. A relativamente novata Octavia Spencer faturou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por "Histórias Cruzadas", drama com elenco feminino que retrata a relação entre mulheres brancas e negras na década de 50. E para os brasileiros, uma decepção. Carlinhos Brown e Sérgio Mendes, indicados ao Oscar de melhor canção original por "Real in Rio", da animação Rio, perderam para o seu único concorrente, a música do filme Os Muppets

O Oscar 2012 passou longe do fiasco de 2011. A cerimônia do ano passado foi apresentada pelos carismáticos James Franco (127 horas) e Anne Hathaway (O casamento de Rachel). No entanto, não rolou química entre os dois jovens atores ao desenrolar da apresentação. Neste ano, Billy Cristal (A máfia no divã) foi o anfitrião do show, pela nona vez. E se deu bem. Mas não tão bem quanto o vestido atrevido (até rimou) de Angelina Jolie, cujo decote deixava sua perna direita totalmente descoberta. A sua pose foi imitada pelos produtores de Os descendentes, que faturaram o prêmio de roteiro que Jolie estava apresentando. E mais: a perna da senhora Brad Pitt virou hit na internet e, na mesma noite, ganhou um perfil com mais de 12 mil seguidores no Twitter.

A transmissão em SAP, feita pela TNT Brasil, é infalivelmente de se tirar o chapéu. No entanto, o entendido Rubens Ewald Filho tropeça em seus comentários, por vezes inadequados. O longa iraniano A separação venceu na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Rubens estranhou que mesmo sendo o favorito, era estranho "a Academia premiar um filme de uma nação inimiga". Ora, mas o que está em jogo no Oscar não seria a qualidade das produções artísticas indicadas? Fatores externos a isso devem ser ignorados. 

Nos especiais da cerimônia estavam uma belíssima apresentação do elenco do Cirque de Solleil. E também uma montagem da quase centenária história do cinema e de como, apesar de toda a sua evolução (e decadência), ainda é muito lembrado por todas as gerações. 


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