Ultimamente vem aumentando o número de remakes e o proveito de antigas ideias em longas metragens. Só em 2011, o cinema nos brindou com novidades não tão inéditas assim, com filmes como "Os Smurfs", "Capitão América" e "Lanterna Verde". Isso só para citar os principais. As regravações são, na maior parte das vezes, inferiores às versões originais das fitas. Há, claro, exceções. Em 2010, os excêntricos irmãos Coen lançaram o western "Bravura Indômita", que concorreu a 10 prêmios do Oscar. De fato, é um filme esplendoroso. Muitos críticos chegam a opinar que a obra dos Coen supera a versão de 1968, protagonizada por John Wayne, vencedor do Oscar na ocasião. Em tempo: Jeff Bridges também foi indicado ao prêmio pelo mesmo papel, mas não levou a estatueta pra casa.
Em 1991, o aclamado cineasta Martin Scorsese convenceu seu parceiro Robert de Niro a regravar o clássico suspense "Círculo do Medo", de J. Lee Thompson. O resultado foi um filme grandioso. Com certeza não é a obra prima de Scorsese, mas a nova versão batizada de "Cabo do Medo" abocanhou duas indicações da Academia, incluindo Melhor Ator para De Niro. Muito se discute acerca da suposta ineficiência de remakes e regravações. Porém, há controvérsias, como nos casos citados.
No último final de semana, assisti a dois suspenses "pseudo-remakes", se é que existe o termo. O primeiro deles, "Um crime perfeito", conta com um simpático elenco. Michael Douglas dá vida à um financista que está sendo traído pela sua esposa, a loira Gwyneth Paltron. Ao dar conta de quem é o "Ricardão" da história (este, um pintor vivido por Viggo Mortensen), o personagem de Douglas cria um plano no mínimo inusitado: propõe à Mortensen que mate a sua esposa. Seria um ótimo plano, claro, se não ocorressem uma série de sobressaltos. A adaptação da história, de 1998, é extremamente parecida (e ao meu ver livremente inspirada) à de "Disque M para matar", clássico hitchcockiano, que conta com Grace Kelly e Ray Milland. Existem alguns elementos que o diferem do filme de 1955. No entanto, a argamassa é a mesma, com exceção do desfecho, mais violento e emocionante que o filme de Hithcock. Mesmo assim, o longa é inferior à "Disque M..".
O segundo filme traz a minha querida Sandra Bullock, em um papel que tinha tudo para ser melhor desempenhado. Ela dá vida a Cassie, uma temperamental investigadora de crimes. "Cálculo Mortal", de 2002, é bom, mas muito pouco original. A trama se foca no dia-a-dia da policial, que tenta desvendar a nebulosa morte de uma universitária, vítima de assassinato. Com o passar dos minutos, descobrimos que o crime foi cometido por dois estudantes da mesma faculdade. O motivo? Ah, o motivo.. ele não existe. Aliás, até existe, mas é vulgarmente fútil e inescrupuloso. Trata-se de um pacto macabro entre a dupla de jovens, que queriam provar um ao outro até que ponto iria a sua coragem. E mais: eles apostavam que iriam escapar das suspeitas. Graças à Sandra Bullock, não é o que acontece. A história é parecida com outro filme clássico, também do mestre Hitchcock. "Festim Diabólico", do longínquo ano de 1948, traz dois rapazes que matam um colega e deixam o corpo dentro de um baú durante uma confraternização entre alguns conhecidos. No entanto, a principal diferença entre as duas tramas é a personagem de Sandra, fundamental no decorrer da história. Mesmo assim, um filme lembra muito o outro.
Falta originalidade na Hollywood contemporânea? Ou infelizmente já inventaram tudo o que poderia ser inventado? O futuro das telonas nos dirá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário